Toyota reinaugura fábrica em Porto Feliz um ano após o local ser destruído por vendaval
Em 22 de setembro de 2025, uma microexplosão atmosférica derrubou o telhado da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP). Com a linha de montagem exposta à chuva,…

Em 22 de setembro de 2025, uma microexplosão atmosférica derrubou o telhado da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP). Com a linha de montagem exposta à chuva, a fabricante iniciou uma operação de emergência para proteger os equipamentos e manter os projetos em andamento. Quatro meses depois, em 26 de janeiro de 2026, a produção foi retomada em um galpão provisório. Agora, um ano após o desastre, a companhia marca o retorno de parte das atividades ao espaço original com a inauguração de uma nova fundição no complexo.

O colapso estrutural ocorreu de forma repentina. Pouco antes da tempestade, a queda de energia acionou um protocolo de segurança que evacuou os funcionários da área principal. Três minutos depois, a cobertura cedeu. “Quando consegui falar com alguém, a pessoa estava apavorada e eu escutava gritos no fundo. Então ela falou: ‘destruiu Porto Feliz’”, relembra Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota. A evacuação rápida evitou acidentes graves.

“O telhado não existia mais. Chuva, sol e os equipamentos de altíssima precisão ali. Precisávamos tomar ações rápidas”, afirma o executivo. A diretriz da matriz brasileira determinou que a equipe fosse mantida unida em um único local durante a reconstrução, para evitar a fragmentação da operação.
A prioridade passou a ser a remoção de mais de 800 máquinas. A direção da empresa montou uma “Obeya” (sala de guerra, na filosofia corporativa japonesa, focada em decisões rápidas). O objetivo era retomar a produção o quanto antes, para evitar ainda mais atrasos no lançamento do Yaris Cross.

A solução temporária foi o condomínio empresarial DVR, a 11 quilômetros da fábrica de veículos de Sorocaba (SP), que oferecia galpões recém-inaugurados com piso de alta resistência, refeitório e pátio.
O principal obstáculo na nova instalação era a capacidade elétrica, dimensionada apenas para iluminação básica. A construção de uma subestação de energia, que exigiria cerca de dez meses, foi concluída em três com o apoio da concessionária local. Para cumprir o cronograma e não atrasar a montagem, os testes iniciais do maquinário ocorreram com geradores portáteis.
A transferência do parque industrial exigiu a remoção de 622 máquinas, transportadas a um ritmo de dez por dia. “O que demora quatro meses para fazer um layout desse, nós fizemos em quatro dias”, destaca Paulino.
A marca perdeu equipamentos vitais na área de fundição devido ao apagão. “Quando acabou a energia, faltou gás para a linha de alta pressão. O alumínio solidificou, mas depois conseguimos reaquecer e recuperar. Já o da baixa pressão, responsável pelo cabeçote, nós perdemos”, detalha o diretor.
Sem a fundição nacional, a Toyota enviou moldes exclusivos para o Japão e para a Indonésia, o que garantiu o fornecimento contínuo das peças de alumínio.
A operação no complexo provisório priorizou a usinagem e montagem do motor 1.5 do Yaris Cross, por ser uma versão exclusiva para o Brasil, com tecnologia híbrida flex e injeção direta. O local entrega 400 propulsores por dia.

A linha do motor 2.0 flex, utilizado em Corolla e Corolla Cross, teve seus equipamentos apenas armazenados no complexo provisório, pois a matriz absorveu a demanda. Como o propulsor feito no Japão não é flex, Porto Feliz envia peças de fornecedores nacionais para o exterior e importa o motor pronto.
Com a inauguração da nova fundição em Porto Feliz — que agora conta com reforços metálicos 45% mais resistentes em relação ao projeto original —, a previsão da companhia é retornar toda a produção do motor 2.0 para a fábrica de origem até 2028.
Fonte original: quatro rodas

