Fora de linha no Brasil, Chery Tiggo 3X tira nota zero em segurança
O Chery Tiggo 3X decepcionou o mercado latino-americano no primeiro resultado de testes de colisão do novo protocolo ao receber zero estrelas na avaliação do Latin NCAP. Vale ressaltar, de…

O Chery Tiggo 3X decepcionou o mercado latino-americano no primeiro resultado de testes de colisão do novo protocolo ao receber zero estrelas na avaliação do Latin NCAP. Vale ressaltar, de imediato, que o modelo avaliado, chamado Tiggo 2 em outros países, é a versão reestilizada do SUV compacto que foi vendido no Brasil e produzido pela Caoa Chery na fábrica de Jacareí (SP), mas que saiu de linha no mercado nacional em 2022. Atualmente fabricado na China, o exemplar testado (Tiggo 2 Pro) conta com quatro airbags de série, mas falhou de forma contundente em todos os aspectos de segurança passiva.
A pontuação do utilitário esportivo refletiu as deficiências graves do projeto em relação ao protocolo atualizado do instituto. O Chery Tiggo 2 alcançou 0% em Proteção de Ocupante Adulto e a mesma marca nula (0%) na Proteção de Ocupante Infantil. Na Proteção de Pedestres e Usuários Vulneráveis, somou apenas 49%, enquanto a nota para Sistemas de Assistência à Segurança ficou restrita a 45%.
O pior desempenho do SUV ocorreu no impacto frontal, que revelou estrutura do habitáculo e área dos pés instáveis, além de proteção pobre para o peito do motorista. Para agravar o cenário, o veículo chinês apresentou risco de incêndio após a batida, o que justificou a nota zero e colocaria em risco equipes de resgate.
A ausência de equipamentos de contenção também pesou no rigoroso escrutínio dos engenheiros. Como o carro avaliado não dispõe de airbags laterais de cabeça como equipamento padrão, o exigente teste de impacto de poste sequer pôde ser realizado. A deficiência estrutural avança para os passageiros do banco traseiro, já que não há pré-tensionadores ou limitadores de carga nos cintos posteriores. O chicote cervical em impactos traseiros resultou em proteção pobre para o pescoço do adulto na segunda fileira.
A nota nula na segurança infantil foi decretada devido ao péssimo desempenho nos testes dinâmicos de colisão lateral e na instalação das cadeirinhas. O boneco (dummy) equivalente a uma criança de dez anos apontou risco elevado de lesões no pescoço e na cabeça. Já o manequim de três anos indicou risco claro de ejeção lateral.

O Latin NCAP pontuou severamente o fato de as ancoragens do tipo i-Size do modelo não atenderem aos requisitos internacionais de fixação, prejudicando por completo a acomodação correta dos Sistemas de Retenção Infantil (SRI). O protocolo de 2026 introduziu a presença de ocupantes adultos de baixa estatura no banco traseiro, mas a proteção do Tiggo 2 também se provou falha nesse cenário inédito de simulação.
O utilitário esportivo não dispõe de qualquer tipo de Sistema Avançado de Assistência à Condução (ADAS), nem mesmo como pacote opcional de fábrica. A única pontuação obtida nessa categoria derivou do aviso de uso do cinto de segurança e do controle eletrônico de estabilidade (ESC), que é item de série.
Ainda que o ESC cumpra os requisitos e o carro de 1.525 kg tenha atingido a velocidade de 90 km/h sem falhas na prova evasiva de desvio de obstáculo (teste do alce), não houve pontos extras pela falta de um limitador de velocidade. Equipamentos corriqueiros no segmento, como frenagem autônoma de emergência carro a carro, assistente de permanência em faixa e detecção de ponto cego, simplesmente não existem no catálogo do modelo.
A proteção contra atropelamentos amealhou somente 23,47 pontos no detalhamento do painel frontal, ficando bem abaixo dos padrões regulatórios da ONU (UN127) para essa categoria. Houve níveis adequados de absorção no centro do capô, mas proteção pobre nas quinas, bases do para-brisa e ao redor da coluna A.
Como é o novo protocolo
A partir de 2026, o Latin NCAP adotou um protocolo de segurança muito mais severo para os testes de colisão de carros vendidos na América Latina. A nova regulamentação determina que as cinco estrelas sejam dadas apenas a veículos que ofereçam proteção ampliada a todos os ocupantes, incluindo o banco traseiro e pedestres. Com a mudança, o selo máximo garantirá um nível de proteção superior ao de anos anteriores, acompanhado de novos assistentes eletrônicos.
Na prática, a nota máxima de cinco estrelas ficou muito mais difícil de ser alcançada. O movimento forçará a popularização de equipamentos eletrônicos para todas as versões e criará estruturas automotivas imensamente superiores, mas o elevado custo de adequação deverá pesar diretamente no bolso do cliente final ao comprar um zero-quilômetro.
Pontuações mínimas para as notas
| Período | Estrelas | Proteção de Adultos | Proteção de Crianças | Proteção de Pedestres |
Assistência de Segurança
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| 2026-2027 | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
80% | 75% | 65% | 85% |
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75% | 65% | 60% | 75% | |
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65% | 55% | 50% | 65% | |
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50% | 30% | 25% | 50% | |
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40% | 15% | 10% | 50% | |
| 2028-2029 | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
85% | 80% | 70% | 85% |
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75% | 70% | 65% | 75% | |
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65% | 60% | 50% | 70% | |
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50% | 30% | 25% | 50% | |
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40% | 15% | 10% | 50% |
Para um automóvel atingir as cinco estrelas a partir de 2026, as fabricantes precisarão instalar de série em todas as versões tecnologias como controle de estabilidade, aviso de cinto de segurança, detector de ponto cego e piloto automático. O percentual exigido de efetividade será elevado ano após ano.
Em vez de concentrar o item apenas na configuração topo de linha, a frenagem autônoma de emergência (AEB) deverá equipar 70% do volume de vendas. O recurso precisará ser vendido como opcional separado na maioria da gama, impedindo a conhecida venda casada de pacotes nas concessionárias.
A proteção de ocupantes adultos passa a utilizar um “boneco” de teste (dummy) moderno e equipado com sensores de altíssima sensibilidade para ler impactos laterais com precisão. A fabricante também será obrigada a comprovar tecnicamente que os passageiros que viajam no banco traseiro contam com segurança eficiente caso haja uma batida de frente.
O novo regramento também pontuará ativamente a segurança pós-acidente. Os veículos somarão bônus se as portas destravarem automaticamente e acionarem a chamada de emergência. No caso do segmento de elétricos, será necessário garantir a total ausência de risco de choque de alta voltagem aos ocupantes e socorristas.
A segurança infantil abandona o foco restrito nos bebês e passa a utilizar um dummy de 10 anos acomodado em assento de elevação, complementando o boneco de três anos. A avaliação prioriza fixações no padrão i-Size e exige sensores na cabine que detectam com precisão se a criança foi esquecida sozinha dentro do automóvel.

Para os usuários das vias, a regra evolui da simples mitigação de lesões no para-choque para impedir que o atropelamento ocorra. Para isso, o sistema de frenagem autônoma deverá ser capaz de reconhecer pedestres e ciclistas sob vários cenários rigorosos, cobrindo testes noturnos ou transeuntes invadindo a rua de surpresa.
O carro precisará obrigatoriamente ler as placas de trânsito na via para ajustar a velocidade do piloto automático. Caso não obedeça ao limite legal de forma autônoma, o modelo testado perderá um terço da pontuação relativa a este quesito, punindo severamente modelos que apenas emitem alertas no painel.
Os assistentes de direção deixarão de dar apenas leves toques no volante. O Latin NCAP vai incorporar as manobras evasivas do assistente de manutenção de faixa de emergência (ELK). Ele impede um choque frontal contra outro veículo surgindo na contramão e ainda barra saídas súbitas de pista em locais sem qualquer marcação de tinta no asfalto.

A entidade criou uma área que premia as tecnologias desenhadas especificamente para monitorar a índole de quem assume o volante. O sistema recompensará marcas que entregarem seus produtos com uma interface padronizada que agilize a instalação do chamado alcoolímetro, dispositivo que impede a partida do motor caso identifique embriaguez.
Haverá ainda a exigência do chamado alerta de cinto de segurança “antitruque”. O sensor interno terá a capacidade de reconhecer se alguém se sentou sobre a fivela já engatada apenas para silenciar o alarme sonoro, além de cobrar a adoção de câmeras apontadas para o rosto do motorista a fim de coibir distrações pelo uso de celular ou sono.
Fonte original: quatro rodas

